Houve um dia em que me apeteceu ir à varanda. Não sei o que me deu, não sei mesmo. Sei que me deu a vontade de ir lá fora, olhar para as estrelas e pensar. Pensar no que realmente queria para mim, pensar nas asneiras todas que tinha feito, pensar em quem tinha magoado, (…) foram tantos os pensamentos que me passaram naquele momento. Mas houve um pensamento que me prendeu mais. Naquela altura eu estava feliz, pelo menos eu pensava que estava. Tinha tudo o que sempre quis ter, tinha alguém ao meu lado. Sabia que aquilo poderia acabar de um momento para o outro, mas isso a mim não me interessava pois achava que isso não iria acontecer, pelo menos tão depressa. Estive lá fora a olhar para as estrelas, elas pareciam tão simples, frágeis, (…). Estive lá perto de uns 20 minutos. Vim para o quarto e adormeci feliz, satisfeita. No dia a seguir, tudo o que eu tinha e tudo o que eu naquela noite tinha imaginado, acabou. Ainda pensei em ir ver as estrelas outra vez, mas não tive coragem e fui-me deitar. Ouve um dia em que eu estava a precisar de alguma coisa bonita que me distraísse ou me fizesse pensar. Fiquei a olhar para a janela, ganhei coragem e fui para a varanda. Estava bastante longe, estava noutro mundo. Quando de repente cai-me uma lágrima. Nessa lágrima apercebi-me que vinham com ela um (grande) conjunto de sentimentos: felicidade, tristeza, saudade, amor, raiva, nojo, ódio, inveja, amizade, desprezo, (…). Olhei para as estrelas e tentei encontrar a mais brilhante, olhei para elas e relembrei-me de um momento passado por nós os dois, quando juntos olhámos para elas. Nesse momento percebi que: ‘Nada é perfeito e nada acontece por acaso.’

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